Lavaredo


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Calçadas Portuguesas e Estradas Romanas

TRAÇADO DA VIA XVII (BRAGA-ASTORGA)
Todos passámos por isto: Vamos correndo por um trilho irregular, com algumas pedras aqui e ali e até um pouco de lama dificultando a progressão, as pernas não se podem desviar muito por causa das silvas, do mato ou dos fetos pelas bermas, pinheiros, eucaliptos, carvalhos um ou outro sobreiro vão-se sucedendo de cada lado...

De repente o trilho irregular muda para um lajeado de pedras largas, bem metidas umas contra as outras, estendendo-se algumas centenas de metros diante de nós.
Pensamos logo que uma perfeição de calcetaria como esta, com as marcas dos rodados dos carros de bois cravados como carris de comboio só pode ser coisa bem antiga. e aceleramos felizes, porque estamos a correr por cima de uma estrada romana!
Errado. Os romanos tinham grande experiência na engenharia de estradas e de pontes, mas nenhum dos troços de trilhos calcetados que encontramos nos montes da nossa região entre o Lima e o Minho se podem atribuir aos romanos. Leram bem: nenhum.

Não conheço todos os troços calcetados desses montes – longe disso – mas alguns dos caminhos que vamos encontrando nas serras de Santa Luzia, Aguieira, Arga e montes de Santo Antão, foram capeados a pedra para que os carros de bois pudessem chegar com mais facilidade às zonas de quebra dos penedos pelos pedreiros. Desta forma era mais fácil transporte da pedra para as aldeias. São trabalhos antigos, pois são, mas não são romanos. Devem ter entre duzentos a trezentos anos.

E porque é que não são romanos? Por uma razão muito simples. A engenharia romana das estradas privilegiava o equilíbrio do percurso, evitando desníveis acentuados, orientando o traçado pelas zonas das portelas e pela meia-encosta, evitando as zonas fundas (e alagadiças) e os cumes.

Querem correr numa estrada com calçadas genuinamente romanas? É marcar um treino pela Geira, a via romana chamada Via Nova, que ligava Bracara Augusta (Braga) e Asturica Augusta (Astorga). Ou então fazer a ultra da Geira ou a Gerês Marathon; passam por lá.

Roberto laranjeira
   ( Arqueólogo)

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