Lavaredo


sábado, 25 de março de 2017

Um pouco do meu palmarés

UM POUCO DO MEU PALMARÉS.
Data de Nascimento:  19/12/1946

Quando era menino e queria estudar após a conclusão do ensino primário, os meus pais não o permitiram. Tinha cinco irmãos mais novos e o dinheiro apenas dava para se comer sopa dia após dia, ano após ano.

Nesse sentido, com apenas 11 anos e 35 kg de peso foi comprado um bilhete de comboio em Vila Nova de Cerveira e fui “despachado” para Lisboa, para trabalhar. Era uma boca a menos e sempre havia mais uns míseros escudos mensais a entrar em casa de meus pais.


Não tive adolescência, passei de menino a homem. Mas tive sonhos como qualquer menino, adolescente ou adulto. O meu sonho consistia em poder tornar-me num campeão a nível de desporto. Sonhei poder ser um grande futebolista, ou um grande jogador de hóquei patins, ou ainda um grande ciclista.


E com esse sonho sempre presente os anos foram passando, até que, com 16 anos surgiu a oportunidade de ingressar numa grande empresa de Telecomunicações. A função era percorrer a cidade de Lisboa em cima de uma bicicleta 8 horas/dia, entregando telegramas.


Claro que aproveitei logo essa oportunidade porque poderia ter finalmente oportunidade de construir a tal carreira de campeão.


Em 1963 comprei uma bicicleta de corrida topo de gama, tendo custado 4.300$00 (21.50€) Ficando a pagar uma prestação mensal de 150$00 (0.75€). Ingressei numa equipa de ciclismo (Marconi), tendo passado pouco tempo depois às competições. Percorri o país todo a competir em circuitos e corridas de estrada. Ganhei algumas, proporcionei a que colegas de equipa ganhassem outras e, sobretudo, contei sempre para a classificação da equipa.


Apesar da minha aparente fragilidade “escondia” uma força incrível e depressa me impus. O meu principal trunfo eram as subidas. Recordo-me ainda (com saudade) da última corrida que fiz, tendo na minha “roda” o saudoso Joaquim Agostinho que se viu “grego” para me acompanhar na subida da Serra do Arestal. Seguiram-se as equipas do Belenenses, Atlético e Benfica. Esta última muito pouco tempo. Tinha acabado de assinar contrato quando fui chamado para o serviço militar, tendo sido colocado na Figueira da Foz.


Aos fins-de-semana, aproveitava para treinar, fazendo a viagem Figueira da Foz/Lisboa e volta. 


Após fazer a recruta e tirar a especialidade, fui mobilizado para a guerra colonial em Angola.  por esse motivo, terminou aí a minha carreira de ciclista.


Quando mais de 3 anos depois regressei da guerra, não me senti com coragem para recomeçar, acabando aí a minha (curta carreira) de ciclista. Com 23 anos iniciei uma longa carreira de xadrezista competindo em Portugal e alguns países Europeus. Foram 17 anos encerrado em espaços fechados durante cerca de 4 horas, com uma média de 16 Atletas a fumar, muitas das vezes em simultâneo (eu consumia 100 maços de tabaco/mês). Aos 39 anos (apenas fumava cerca de 30 cigarros/dia) rompi drasticamente com o tabaco. Nem mais um cigarro.


Troquei o tabaco pelo Atletismo! E em boa hora o fiz. Comecei a correr sendo treinado por um treinador profissional, obtendo rapidamente bons resultados desportivos.


Desde essa altura, ganhei praticamente tudo que havia para ganhar, participei em centenas de competições. Entre elas vou destacar apenas algumas que considero mais importantes:


6 – Meias maratonas da Nazaré (a mais antiga meia maratona de Portugal)


13 – Meias maratonas de Lisboa


7 – 20Km de Cascais


6 – Meias maratonas de Sevilha (recorde pessoal 1h17


5 – Meias maratonas de La Guardia (ganhei 4)


4 – Subidas (24 km) ao ponto mais alto da Península Ibérica (ganhei uma)


4 – Maratonas País Basco


5 – Maratonas na Serra de Guadarrama (maratona de montanha mais difícil do Mundo, ganhei uma)


13 – Participações em Terras de Aventura/Desafios xxxx


2 – Vezes Campeão Nacional de Montanha (tendo numa das vezes vencido com um pleno nas classificativas, 12 corridas, 12 vitórias.)


2 - Maratonas de estrada.


Vários Trails e Ultra Trails em Portugal e Espanha. (Rio da Fraga 3,  Galinheiro 3,  1 Courel,  1 Ilha de Arousa, etc.)


1 - Ultra Trail do Piodão (1º Escalão)


2 - Trilhos do Paleosoico (ambos 1º no Escalão)


1 - Alvarinho Ultra Trail (1º Escalão)


1 – Ultra Maratona de estrada 100 Km (18º geral, 1º no escalão)


1- PENEDA GERÊS TRAIL ADVENTURE 280km, Finisher!!! (11º geral 1º escalão)


1 - LAVAREDO ULTRA TRAIL 119 Km, Finisher (636 geral entre 950)



E por último, o grande sonho da minha vida, o TOR des GEANTS. Apesar de estar muito bem preparado, aos 187 Km’s tive uma lesão, tendo sido retirado da prova. Foi a maior desilusão em toda a minha vida! Um trauma do qual ainda não superei. Por isso, estou a tentar por todos os meios arranjar patrocínios (este blog é um exemplo), que me permitam no dia 13 de Setembro estar na linha de partida em Courmayeur, para completar os 332,530 Km’s.

Independentemente de conseguir ou não os apoios necessários para a participação, a partir do dia 1 de Janeiro próximo, iniciarei a minha preparação sonhando e apostando estar lá!!!!!
De facto comecei a preparação para o TdG no dia 2 de Janeiro e vou mesmo estar em Crourmayeur no dia 13 de Setembro para completar o que fui impedido de fazer em 2014!!!!!


E de facto em 13 de Setembro lá estive à partida, debaixo de muita chuva, muito vento e muito frio. Durante a noite de Domingo para 2ª feira, para além destes 3 factores, apareceu um 4º - a neve – que suspendeu o evento por 3 horas. A meio do dia de 2ª feira foi suspenso por mais 8 horas, tendo sido definitivamente suspenso um pouco depois de recomeçar.

Porque o regulamento não permite, só em 2017 (70 anos de idade) lá estarei na partida de novo!!!

GOSTARIA DE ACRESCENTAR UM EVENTO RELEVANTE NA MINHA CARREIRA DESPORTIVA:

Em 1999 dei início à organização e direcção de 10 corridas de Montanha em Vila Praia de Âncora em que a primeira teve o nome de "MONTES DE STO. ANTÃO A CAMINHO DE CAMINHA", e as restantes nove "MONTES DE STO. ANTÃO - O CALVÁRIO". 
Evento que logo na segunda edição juntou mais de 300 Atletas (o que era um numero muito elevado para a época) chegando a participar mais de 450 Atletas!


Continuando com o enriquecimento curricular, este ano de 2016 mais dois ou três eventos que considero mais importantes:

2º- PENEDA GERÊS TRAIL ADVENTURE 274km, Finisher!!! ( 1º escalão)

Ultra Trail Lavaredo 119 km não finisher devido a lesão (terminei aos 75 km).

4K Alpes Italianos. 349 km não finisher devido a lesão (cirurgia não recuperada)

Campeonato do Mundo de Ultra Trail 85 km sempre a acompanhar o último Atleta

3ª Geres Extreme Marathon. Finisher (1º Escalão)

E para 2017 outros desafios terão lugar, nomeadamente PGTA, Estrela Grande Trail 109 km, Ultra Trail Serra da Freita  100 km,  Tor des Geants, Geres Extreme Marathon, etc.

E já estamos em 2017. Tal como previa no ano passado, desafios de relevo já fiz um:
Peneda Gerês Trail Adventure. 220 km já concluído e finisher.


12 Novembro 2014




12 Novembro 2014

Quim Sampaio

segunda-feira, 20 de março de 2017

SERÁ QUE NUM FUTURO VAMOS TER “VELHINHOS” A FAZER ULTRA TRAIL’S?


Partida Torre/Piódão
Depois de muito ver e ler através das redes sociais centenas de Ultra Trail’s e milhares de fotos dos mesmos, levou-me a interrogar se daqui a alguns anos vamos ter a correr por esses montes algum dos chamados ”velhinhos”.

Esta interrogação deve-se a constactar que cada vez são mais novos os atletas que fazem 100Km ou mais e ainda mais preocupante o espaço temporal que levam a essas distâncias.

Chegada TransEstrela
O trail “é giro, está na moda, vamos lá fazer um Ultra”. Há quem comece hoje a correr e, 4 ou 5 meses depois, aí estão à partida de uma distância de 3 dígitos!!!…

Recordo-me que quando em 1986 comecei a correr, durante 5 meses o treinador não permitia que corresse mais que 10 km e os treinos nunca poderiam ultrapassar 1 hora. Ao fim de 5 meses começou por permitir mais tempo de treino, chegando à 1h30 e aos 15 km de prova. Andei durante bastante tempo a correr montanha na “clandestinidade”… e a distância máxima eram 20 km, havendo apenas duas provas anuais que ultrapassavam essa distância: Torre Piódão (31 km) e TransEstrela (51 km)!

Torre/Piódão
Foram muitas dezenas de meias maratonas de estrada e maratonas de montanha, até fazer uma ultra de 100 km! Passaram-se 16 anos. 16 anos de endurance para que tivesse terminado os 100 km cumprindo os objectivos que me tinha proposto.

Em face do exposto, leva-me a concluir (ou não) que quando o Quim Sampaio, o Carlos Natividade Silva, o Jorge Serrazina, o Vitorino Coragem Coragem, o Rui Pedras, a Célia Azenha, a Glória Serrazina, a Fernanda Esteves e outros mais “arrumarem as botas", se voltaremos a ter “velhinhos(as)” a calcorrearem esses trilhos pelos montes e vales deste País.

TransEstrela após 51 km



Quim Sampaio
Ultratrailer

3 Novembro 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

Estarão a matar o Trial Running em Portugal?

REFLEXÃO




ESTARÃO A MATAR O TRAIL RUNNING EM PORTUGAL?

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Como é do conhecimento de alguns Atletas, iniciei-me nestas “andanças” diga-se corridas de montanha com e sem trilhos, há cerca de 30 anos. Nessa altura, a grande dificuldade que existia, era conseguir descobrir um evento desses. Não havia telemóveis, não havia internet, não havia redes sociais. A informação chegava através de panfletos distribuídos nas corridas de estrada. Mas raramente havia essa distribuição porque simplesmente quase que não haviam corridas de montanha. Apenas 3 ou 4 por ano… Há um ditado popular que diz o seguinte: “não há fome que não dê em fartura”. É verdade, nada mais apropriado ao actual estado do trail em Portugal. 


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A dificuldade que havia nos anos 80 para conseguir correr em montanha, neste momento acontece a mesma coisa mas no sentido inverso. Por cada fim-de-semana, são tantas em tantos locais por esse País fora, que torna-se menos stressante se escolhermos         “de moeda ao ar”.


Depois do nosso amigo Zé Moutinho ter trazido para Portugal a palavra Trail Running com que batizou a sua Serra da Freita em 2006, a Geira Romana no ano seguinte e o MIUT houve apenas uma organização (Amigos da Montanha) que em 2010 usou também essa denominação. Em 2011 Já eram 3 Organizações: Zé Moutinho, Carlos Sá, Amigos da Montanha.


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Daí para cá é o que se sabe. Qualquer clube, comissão de moradores, casa do povo, centro sociai ou paroquial, camara municipal, junta de freguesia, Bombeiros, loja, lojinha, ou simplesmente a nível individual, organizam um Trail. Se observarmos nos meios em que estão programados esses eventos, veremos que são trail’s curtos trail’s longos, são ultra trail’s. E isto a uma média de 8/9 por cada fim-de-semana.

Até aqui tudo bem, de momento que hajam Atletas (o que nem sempre acontece) para dignificarem o Trail e o que ele representa, que hajam organizações que saibam o que estão a fazer (escolha de percursos, marcações, abastecimentos, segurança em todo o percurso, cumprir e fazer cumprir o respeito pelo meio ambiente e natureza), tudo bem. Acontece porém que segundo relatos que me chegam e outros que eu constacto, isso numa grande maioria não acontece. Preocupam-se apenas com os “$$” que possam obter. E em minha opinião são estas organizações que estão a matar o Trail em Portugal.


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Não sou saudosista, mas recordo com saudade o tempo em que as corridas de montanha (o “trail” dessa época) serviam não só para desfrutarmos e respeitarmos a Natureza, como estreitarmos cada vez mais em cada prova o sentimento “familiar” que se respirava prova após prova. Era uma família grandinha…

 Nessa altura não havia a quantidade de suplementos alimentares que hoje há, mas havia alguns. Quando a organização ia levantar as marcações, não encontrava um invólucro de gel no chão, uma garrafa de água ou algo que prejudicasse a Natureza e o meio ambiente.

Infelizmente hoje há atletas??? Que desrespeitam esses princípios de “deixa o percurso mais limpo do que quando por lá passou o 1º Atleta”.

Ainda no passado fim-de-semana no levantamento das marcações do Trail de Gondar, eu e os meus colegas “vassouras” para além dos invólucros do gel e das barrinhas energéticas, encontramos espalhadas pelo trilho dezenas de garrafas de água vazias. Evento que me convidem para “Padrinho”, só aceitarei se nos abastecimentos não houver garrafas de água. O regulamento pode incluir uma alínea de obrigatoriedade de o Atleta ser portador de um recipiente para encher os líquidos. Se o não levarem, não bebem!

Há duas semanas atrás tive a honra de ser o “Vassoura” do PGTA. Foram 7 etapas que para além de acompanhar o último Atleta, levantei toda a marcação. Só numa dessas etapas, é que encontrei um invólucro de um gel, mas tudo me leva a crer que teria caído sem o Atleta dar conta, caso contrário teria encontrado muitos mais.

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30Abril 2017



Quim Sampaio - Ultratreailer