Lavaredo


domingo, 25 de outubro de 2015

The North Face® Lavaredo Ultra Trail

The North Face® Lavaredo Ultra Trail



Em Junho de 2015, participei no LUT (Lavaredo Ultra Trail).

A seguir ao TDG (Tor des Geants), é o Trail que mais me apaixona. Decorrendo numa zona protegida dos Alpes - Montes Dolomites, Património Mundial da Humanidade - na distância de 119 Km.

Como todos os Alpes, é uma zona expectacularmente linda! Paisagens que nos fazem por vezes parar e desfrutar aquilo que o nosso olhar abrange. Participei nesse evento maravilhoso, como treino para o TDG. O ano que vem, 24 de Junho, vou apenas para correr e desfrutar. O objectivo não será treino, uma vez que devido ao regulamento do TDG, não permite que, caso fosse em 2016, não poderia ir em 2017. E 2017 quero mesmo ir lá, ao fazer os 70 anos!

Nesse caso, na companhia da minha filha Célia Sampaio e de muitos outros Portugueses que estarão presentes, irei desfrutar das belezas naturais e da "dureza" do seu perfil...    
É mais um desafio...

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Quim Sampaio - Ultratrailer

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

SUPLEMENTOS ALIMENTARES NUTRILITE Amway

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Já lá vão 4 meses a consumir os suplementos alimentares da Nutrilite! - All Plant Protein. Proteína vegetal
- Complexo de Omega 3 - Strive +
- Isotónico protaico
- Double X. Multivitaminas vegetais
- Mineral Sticks Magnesium
- Mineral Sticks Zinco
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Todo o meu organismo reagiu de uma forma excelente ao consumo diário destes suplementos. Treino atrás de treino, dia atrás de dia, os músculos tendões e articulações estão em perfeitas condições.

Durante o treino em tempos pré-determinados, hidrato-me com proteínas misturadas com isotónico (Strive+). Acabo o treino, cerca de 10 g de proteínas com mais um isotónico, é suficiente para no dia seguinte me levantar e iniciar novo treino como se nada tivesse feito no dia anterior.
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Este pó proteico é vegetariano. Na sua composição entra a soja, trigo e ervilhas amarelas. Fornece quantidades equilibradas dos nove aminoácidos essenciais, libertando energia suficiente para alimentar todo o sistema muscular e o coração.


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O Omega 3 contém dois ácidos gordos essenciais à alimentação. Encontram-se em maior quantidade no Salmão, mas como não se come Salmão todos os dias e os outros peixes não possuem a quantidade adequada que o nosso organismo precisa, o Ómega 3 da Nutrilite fornece a quantidade suficiente.

O consumo diário de Double X, suplemento multivitaminas e multiminerais, fornece um apoio nutricional melhorado quando há maiores exigências de esforço e o organismo precisa ainda de mais nutrientes.Extraídas de plantas, contêm vitaminas, minerais, concentrados e extratos seleccionados de 23 plantas.


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O Magnésio desempenha um papel vital na ajuda a que músculos e sistema nervoso trabalhem eficientemente, sobretudo o músculo cardíaco. 

Os Minerais Sticks de Magnésio são uma conveniente forma de ingerir a sua dose vital deste mineral. Por fim o Mineral Stick Zinco.

O zinco contribui para o funcionamento normal do sistema imunitário. Com o sistema imunitário em perfeitas condições, não há doenças que se desenvolvam. Claro que suplementos de Zinco só há 4 meses que consumo, mas sei que vai contribuir para que se mantenha o bloqueio do meu organismo contra a invasão de qualquer doença. São 69 anos sem doenças. Ainda hoje desconheço o que é uma simples gripe. Nunca tive nenhuma….


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Está a aproximar-se (próximo dia 24) um teste a sério a todos estes suplementos. Vão ser 274 Km’s nas Serras da Peneda, Geres e Amarela entre outras. Depois desta data, darei notícias…

Depois de ponderar demoradamente se se enquadraria o relato de uma situação que se está a passar comigo sem terminar as pesquisas que ando a fazer, resolvi de facto relatar até porque sinto-me demasiado optimista e extremamente feliz quanto a resultados.
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Há cerca de um ano, comecei a sentir choques eléctricos nas pontas dos dedos das mãos quando espirrava ou expulsava repentinamente o ar acumulado nos pulmões. Simultaneamente comecei a sentir perda de sensibilidade na ponta dos dedos polegar e indicador de ambas as mãos, agravando-se dia após dia até perder por completo toda a sensibilidade. Eram dois dedos completamente mortos.

Dirigi-me ao médico dando conta do que se estava a passar. Mandou-me fazer um exame (Eletromiografia). Resultado, nada de anormal. Novo exame: ressonância magnética à coluna cervical. Esta acusou uma hérnia entre o 3º e 4º disco cervical, estando a comprimir seriamente a medula. Terapia adequada, intervenção cirúrgica. Foi marcada, mas à última hora decidi aguardar mais um tempo que permitisse participar no TdG.

 Regressado de Itália em Setembro passado, voltei a ponderar a intervenção cirúrgica, mas fui “adiando”,“adiando”… Há cerca de 2 meses comecei a sentir melhoras. Melhoras que ia sentindo cada dia que passava.

Hoje, neste preciso momento, a situação reverteu quase 100%. Não há mais choques eléctricos e a sensibilidade dos dedos está mais ou menos (talvez mais) nos 95%!!!

Perante estes resultados assombrosos, resta-me concluir que aconteceu uma de duas coisas: Ou houve milagre ou os suplementos alimentares da Nutrilite que há 4 meses tomo diariamente fizeram efeito. Como “milagres” só havia antigamente mas só em Fátima… resta-me acreditar que foram de facto os suplementos que fizerem regredir esta situação.

Mas as pesquisas continuam.

Qualquer pessoa que queira experimentar algum destes produtos, ou ser assessorado pela DNA, entre em contacto comigo ou directamente com um dos responsáveis da empresa (Osvaldo Magno), com o telefone nº 967349400.

Vila Praia de Ancora, 4 de Abril de 2016

Quim Sampaio- Ultratrailer 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

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Fernanda Verde - Medicina Natural

Artigo dedicado às MULHERES do Trail

Remédios naturais aliviar os efeitos da menopausa.

 Embora muitos médicos costumem receitar tratamentos a base de hormônios sintéticos para a mulher se livrar dos sintomas da menopausa. Existem outras formas, como remédios naturais para aliviar os efeitos da menopausa, que além de serem eficientes não têm efeitos colaterais como alguns dos tratamentos com hormônio tradicionais.

1 benefícios do ginseng Ginseng É uma substância que estimula as glândulas suprarrenais, contribuindo na redução dos sinais da menopausa. Em lojas de produtos naturais é possível encontrá-lo para o preparo de chás ou em cápsulas.

2 benefícios da vitamina C Vitamina C Uma alimentação equilibrada também é muito importante para não sofrer na menopausa, inclusive, rica em vitamina C, que é encontrada especialmente nas frutas cítricas, como laranja, acerola, kiwi e outras. Essa vitamina é imprescindível para que o organismo produza hormônios da glândula adrenal. Se você optar pelos suplementos consulte um médico para que ele indique a dosagem certa para você.

3 benefícios da sálvia Óleo Essencial de Sálvia Essa substância conta com propriedades estrogênicas, por isso, funciona como um ótimo remédio natural para aliviar os efeitos da menopausa. Ele colabora no equilíbrio dos hormônios e ameniza as ondas de calor. Embora a forma mais eficaz de usá-lo seja por meio da inalação, também pode ser diluído a um óleo de massagem e passar no abdômen.

4 benefícios do trevo vermelho Trevo vermelho É um chá poderoso e entre os seus benefícios está o fato de conter isoflavonas, substâncias estrogênicas naturais que ajudam a manter o equilíbrio hormonal do corpo. Assim, os níveis de estrogênio crescem, reduzindo os efeitos da menopausa.

5 benefícios do isoflavonas Isoflavonas Esse hormônio natural funciona como um remédio natural que também é encontrado na soja, sendo que a melhor forma de consumi-la é a orgânica. Assim, você pode beber o leite de soja, fazer uma sopa de missô (derivado da sopa), comer tofu (também derivado da soja), entre outras opções.

6 benefícios da maca Maca É uma raiz usada há milhares de anos pelos povos nativos do Peru, sendo muito benéfica ao sistema endócrino. Assim, auxilia no equilíbrio dos hormônios, restaura glândulas e melhora a capacidade do corpo em trabalhar com os quadros de estresse, inclusive, quando é resultado das mudanças hormonais. É encontrada em pó ou em cápsula.

7 benefícios do cohosh preto Cohosh preto Erva usada há centenas de anos por nativos americanos para tratar desequilíbrios hormonais, como cólicas menstruais e sintomas da menopausa.

É mais eficiente para combater as ondas de calor, irritabilidade, alterações de humor e insônia. Pode ser encontrada para fazer chá, em extrato ou cápsulas.

Dicas para evitar os efeitos da menopausa:

Evite consumir muita cafeína, uma vez que as ondas de calor também podem ser sinal de que suas glândulas adrenais (localizadas acima dos rins que ajudam o organismo a tratar o estresse) estão sobrecarregadas.

A linhaça é outro alimento que ajuda a combater os efeitos da menopausa, sendo que a use preferencialmente triturada em pães, iogurtes e sucos.

A aromaterapia é um tratamento natural com muitos benefícios, inclusive, para aliviar os efeitos da menopausa. Uma dica é misturar a um frasco de 50 ml de óleo de amêndoas oito gotas de cada uma dessas essências: manjericão, louro, hortelã, sálvia e anis estrelado. Pingue poucas gostas no interior dos pulsos e dos braços e esfregue quando sentir ondas de calor ou até três vezes ao dia.

Fernanda Verde

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O Tor, eu e o meu "eu"

Um testemunho de Eduardo Santos sobre a sua participação no  Tor des Geants 2015

Será que vou acabar aquilo? 

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Fui um dos participantes em 2013, mas, infelizmente por falta do discernimento necessário nestas ocasiões, acabei por tomar uma decisão errada e acabei com a prova aos 80 km.

Este ano a responsabilidade tornava-se maior e a última semana antes da partida para Courmayeur foi semana de reflexão sobre o assunto. Preocupado com os anúncios de mau tempo, acho que não consegui pregar olho na madrugada da viagem para o aeroporto.

Quer queiramos ou não, esta é uma prova, onde durante o seu desenrolar, metemos à prova todos os nossos limites. Bastões partidos, noites sem dormir, comida que teima em não entrar, calor, frio, neve, chuva, roupa molhada, alucinações e as dificuldades inerentes ao percurso.Circunstâncias para o qual temos de estar preparados física e mentalmente para participarmos num desafio desta envergadura.

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Nem todos, conseguem e estão aptos a terminar um desafio como é o Tor de Geants. Para o fazer será demais importante não nos deixarmos abater por dá cá aquela palha, numa situação de extrema dificuldade, há que pensar várias vezes, dar umas boas chapadas na cara, até se tomar a decisão final. Não o fiz em 2013!

Eis-nos no aeroporto, felizes por um reencontro, para mais um desafio, e que desafio este. Uma prova de 330 km com cerca de 24000 de desnível positivo, não é propriamente algo que se possa considerar vulgar. No rosto de todos uma grande esperança de levar a bom termo uma das provas mais difíceis do mundo.

Aquela que parecia ser uma viagem calma, acabou por ser uma viagem atormentada, já dentro do avião prontos para descolar, somos recambiados para outro avião, o que implicou um atraso considerável e uma chegada a Courmayeur mais tarde que o previsto. Descontraídos, brincámos com a situação e passadas cerca de duas horas, seguimos viagem.

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Em Geneve juntaram-se a nós (eu, Manuel Correia, Diogo Simão e Hélder Tomé), o Quim Sampaio e Miguel Pereira. O grupo dos gigantes estava completo. Tudo a correr bem, até que o Hélder Tomé apercebe- se que o TLM ficou no avião. Mais algum tempo de espera, mas em vão, apenas foi recuperado no regresso. Fiquei preocupado! Podia-mos ter ali um caso grave de nomofobia e a coisa podia dar para o torto. Mas, não, afinal de nós todos o Hélder era o que demonstrava mais tranquilidade.

Geneve, aluguer de viaturas, viagem até Chamonix para almoçar, túnel do monte branco e eis-nos em Courmayeur. À chegada a preocupação era muito grande, o tempo estava péssimo e as previsões não eram nada animadoras, mas tínhamos ainda dia e meio para preparar as coisas e reflectir sobre a melhor estratégia para a prova. Apesar da chuva, todos mantivémos uma vontade do tamanho do mundo em terminar a prova, o que em termos psicológicos veio a tornar-se muito positivo.

Com a ajuda do Manuel Correia o percurso estava estudado minuciosamente.

Chega a hora da partida, a noite foi de chuva intensa, não estava frio, pelo que, na minha mente pairava uma restea de esperança. Será que vou livrar-me da neve nas zonas mais altas? Muitos atletas, em conversa garantiam que não haveria neve. Muita alegria na partida.

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No dia seguinte chegavam as nossas voluntárias de apoio logístico, a Gabriela e a Margarida. Partimos debaixo de chuva intensa. Apesar disso, a prova decorre num cenário que posso considerar de sonho, paisagens deslumbrantes com picos nevados no horizonte, prados alpinos, trilhos bem assinalados, que a todo o momento nos convidam a um registo fotográfico.

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Passagem por muitas zonas rurais, onde o apoio aos atletas é deveras inimaginável, há festa na aldeia!!! Com este relevo e também devido às condições climatéricas, são evidentes as vocações económicas desta região: a seguir ao turismo, a economia também é grandemente sustentada pela sua produção de gado e produtos lácteos. Ao fim de algumas horas é atingido o Col Arp (2571), olhando no horizonte, o impressionante muro de montanhas ao fundo, com os cumes escondidos pelas nuvens.

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Em baixo fica o vale que, visto de cima, mais parece um grande relvado dividido ao meio pelo rio Dora Baltea, as casas de Courmayeur parecem do tamanho de ovelhas.

Sempre juntos, (eu, Diogo e Manuel), facilmente atingimos o Refúgio Deffeeyes (2500), o Passo Alto (2857) e o Col Crosatie (2366), neste último percurso, na descida para "Planaval", passámos ao lado do memorial ao atleta Yang Yuan, falecido em 2013.


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Às 23 horas de domingo chegamos à primeira base de vida. As condições atmosféricas eram péssimas, e aqui em Valgrisenche (1662), logo nos apercebemos que seria preciso muita coragem, muita superação para podermos terminar com sucesso este grandioso desafio. Depois de nos alimentarmos convenientemente, decidimos descansar cerca de duas horas. Fui o primeiro a despachar-me, saí e esperei um pouco pelo Manuel e Diogo, mas eles não apareciam e a já arrefecer, acabei por continuar acompanhado por uma atleta espanhola, no caminho lembrei-me que eles ainda iam aos doces antes de continuarem. A junção deu-se mais à frente. Debaixo de chuva intensa, trovões, relâmpagos e com um frio arrepiante, eis-nos no Refúgio
Chalet de L'Epée (2367).

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Era o princípio do fim. O frio era tanto, que já não conseguia mexer as mãos, assim que entro, a confusão era generalizada, deviam estar dentro do refúgio cerca de 50 atletas. Encharcado e sem roupa seca para mudar, a primeira coisa que fiz, foi tentar de alguma maneira aquecer as mãos debaixo de água quente. As dores nas mãos eram tantas que não conseguia estar sentado. Era um desassossego. Entretanto sentei-me ao lado do Diogo, o Manuel com um cobertor por cima do corpo tremia por todos os lados e anuncia: Tenho uma coisa a dizer-vos. Vou ficar por aqui!


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Nesta altura ainda não se sabia da paragem da prova, mas ninguém estava em condições de seguir caminho de imediato, as condições lá fora eram de tempestade. Uma hora depois, é anunciada a paragem da prova até ordens em contrário. Entra no refúgio o Hélder Tomé. Entretanto aquele pequeno espaço ia recebendo todos os atletas que sairam de Vagisenche antes da paragem da prova. Deveriam estar dentro do refúgio cerca de 100 atletas. A confusão era total, dormia-se onde se podia, sem codições mínimas, houve atletas que fizeram uso das mantas térmicas para se tapar. Entretanto, chega a informação que estavam retidos na 1ª base de vida cerca de 200 atletas, um deles seria o nosso compatriota Quim Sampaio. Já dia, chega a ordem de partida, ainda molhado, tento uma progressão mais rápida na tentativa de aquecer, mas à frente dos meus olhos o motivo do cancelamento da prova durante algumas horas, o Col Fenêtre (2854) , estava envolto num manto de neve.

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A progressão não poderia ser muito rápida. O frio começa a entranhar-se no corpo já húmido, os trilhos quase não se viam e eram ora de gelo, ora de neve. Atingido o cume, começa a descida íngreme durante vários kms, olho o trilho e fico estupefacto, era de gelo. Grito em voz alta "Não consigo descer isto!!!" Fiquei fora de mim, coloquei-me numa posição muito constrangedora, provocando em mim uma série de situações negativas, as quais não consegui combater no momento. Muitos de nós não dão conta, que em situações como esta, sobretudo em alta montanha, nos defrontamos diretamente com a nossa mente, ou seja "forçamos" o nosso psiquismo a viver mais no aqui e agora. Para vivermos em situações deste tipo, que só a montanha nos oferece, seremos sempre forçados a ser acompanhados pelo velho companheiro medo, a nossa vaidade, o nosso carácter, a nossa auto estima baixa ou elevada, a nossa noção da realidade. Tive medo. Ainda hoje, não consigo dizer se esse medo foi razoável ou não, se era um medo infundado, não consegui o discernimento necessário para o combater. Não consegui controlar a mente de modo a não pensar que podia cair e morrer.

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Acredito como treinador, que se estivermos atentos a isto, podemos aliar a nossa participação em provas deste tipo a metodologias de "treino mental" tais como a prática de yoga, da meditação, do reiki, entre outras, de forma que a nossa condição física seja acompanhada pelo nosso desenvolvimento psicológico. Parece-me que negligenciei esta realidade psicológica, os aspectos cognitivos e emocionais pouco treinados e trabalhados dificultaram o meu desempenho nesta situação. De novo aprendi!!! Mas, afinal o que aconteceu? Em pânico e já a tremer de frio, fico no cimo do Col, firme e hirto à espera não sei bem de quê, olho para trás para a descida em direção do Refúgio Chalet de L'Epée, já não vinha nenhum atleta, o que queria dizer que todos os que estavam nesse refúgio já tinham passado e os duzentos que ficaram retidos na base de vida chegariam ali apenas três horas depois.


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Já em situação débil a nível físico e psicológico, tinha de arranjar uma solução, tento descer o trilho de gelo sentado, mas passados cerca de 100 metros e sem calças impermeáveis, o gelo começa a entranhar-se no corpo de uma forma alucinante, de repente penso que a descer naquela situação, acabaria por morrer no trilho, volto para cima feito cabra do monte e chego novamente ao cume. Já não havia muito a fazer, tinha de ser resgatado o mais rápido possível. Pego no telemóvel, mas os dedos estavam congelados, não conseguia marcar um único número, olhei à volta na procura de algo onde me pudesse abrigar. Nada! Lembrei-me do xaile.

Até que do nada aparecem dois atletas, os meus salvadores, um francês e um italiano, tinham ficado a dormir mais tempo no refúgio. Trataram de imediato de ligar para o SOS para fazer o resgate. Deram-me as suas mantas térmicas e embrulharam-me completamente. Ficaram comigo até ser resgatado. Agarrado e aconchegado de frente pelo Francês e atrás pelo Italiano durante cerca de uma hora, o resgate a 3000 metros de altitude agarrado a uma bela Italiana durante cerca de 5 minutos (tempo de subida da corrente), a tremer dos pés à cabeça, foi uma sensação difícil de explicar, digamos uma espécie de purificação da mente.


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Acabei por ficar no hospital da Aosta 12 das 24 horas que o médico de medicina de montanha referiu após as primeiras análises. Os indíces muito baixos de potássio ficaram regulares após as segundas análises e tive ordem de soltura. Às 19 horas de segunda feira, a minha voluntária Margarida, acabada de chegar a Itália, foi buscar-me ao hospital.


Os dias seguintes foram de descanso e de acompanhamento dos atletas portugueses ainda em prova. O que acaba por ser por pouco tempo, uma vez que a prova é cancelada definitivamente na quinta feira de madrugada. Na véspera o Manuel Correia tinha sido resgatado e recambiado para o hospital, nesse dia e enquanto a Gabriela dava a assistência necessária ao seu herói, aproveitei para visitar uma cidade que me deslumbrou positivamente.


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A capital, Augusta Praetoria, a moderna Aosta, exibe um grupo importante de monumentos, que assinalam a passagem do tempo e da história pelo vale. O Arco de Augusto, perto da ponte romana, fica no centro de uma rotunda movimentada, de onde saem as ruas centrais da cidade. Algumas destinam-se exclusivamente a peões, como a Sant’Anselmo, animada por uma profusão de restaurantes, birrerias (cervejarias), e lojas de produtos típicos: objectos de madeira, mel, vinho, e o célebre queijo Fontina.


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A cidade está repleta de vestígios romanos, o teatro, o fórum, as antigas muralhas, a zona de banhos fazem a delícia dos visitantes. Mas a época medieval também deixou em Aosta alguns monumentos de interesse, nomeadamente a Catedral de Notre-Dame de L’Assomption, que ganhou uma fachada ricamente decorada e pintada durante a época renascentista, e a igreja e colegiada de Saint-Ours. Vale a pena uma visita.

Um forte abraço, era um dos sonhos que tinha interiorizado logo de início, na possibilidade de não terminar o Tor 2015, poder ter o prazer de estar naquela mítica linha de chegada e abraçar fortemente os meus companheiros neste mega desafio. Por circunstâncias inesperadas e alheias à nossa prestação, tal não foi possível. Com menor ou maior intensidade é o fim de um ciclo que me leva a refletir, a repensar, a olhar para dentro e para fora, tentando perceber o porquê disto .


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De novo, aprendi. Serei um dos poucos atletas de estrada dos anos 80 e 90, que abraçou a natureza à meia dúzia de anos, percorrendo trilhos fantásticos, montanhas fascinantes, fazendo amigos e mais amigos. Estou grato pela mudança.

Termino, com um forte abraço a todos os meus companheiros presentes neste desafio. Para o ano tentarei marcar presença.



Eduardo Santos