Lavaredo


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019



PENEDA GERÊS TRAIL ADVENTURE 2019

STAFF
Após um ano de interregno (2018), eis que no passado dia 13 de Abril, volto a ter a honra de ser o “vassoura” das 7 etapas, iniciando esta bela tarefa pelas 17h desse dia.

De salientar que há apenas dois atletas que nas 6 edições participaram em 5. Quim Sampaio (2017 falhou por 15 dias antes ter partido uma perna) e Gerson Silveira. 

1ª Etapa – Ponte Misarela/Gerês, 27 km

Logo após o almoço, o autocarro levou todos os atletas (todos menos 2) até à partida, situada na ponte milenar, Ponte de Misarela. Os dois atletas que não partiram da Vila do Gerês de autocarro, foram o casal Linda Brink / Barry Oven que tinham chegado a acordo com a organização para nesse dia fazerem 100 km.


Linda
Partida da Serra do Larouco, perto de Montalegre às 2 horas da madrugada. hora para chegarem a Ponte de Misarela a tempo de começarem o PGTA. Quando já tinham “palmilhado” 75 Km e tinham ainda 27 para o final, chegaram. Chegaram e partiram logo de seguida.

Tiveram uma recepção calorosa dos atletas que estavam à espera deles para se dar início ao PGTA.Nessa altura reparo que a Linda tinha os dois joelhos ensanguentados, mas um deles bastante maltratado. Com o meu “Portunhês” perguntei-lhe como se sentia, respondeu bem, mas com muita dor. Foi neste momento que me apercebi do enorme erro que cometi ao esquecer-me do frontal.
Em Cabril o Sérgio emprestou-me um, mas tinha a bateria descarregada nem sequer chegou à cascata do Taiti, sendo atravessada de noite às escuras…

Barry
A partida foi dada e como é óbvio ocupo a minha posição, ultimo do pelotão... Logo á minha frente o casal amigo Holandês. Devido aos km percorridos acrescidos com as dores que a Linda sentia, a progressão foi lenta. Raramente conseguia correr.

Já perto da Pedra Bela local onde deixei de levantar as marcações por imposição do STAFF que estava no local. Aqui, creio que foi o Fernando que me emprestou um novo frontal. E esse sim, chegou até final. Foi também aqui que começou a chover bastante, tornando a progressão ainda mais difícil, mas finalmente chegamos à Vila do Gerês...

2ª Etapa – Gerês/Ponte da Barca, 42 km

Melanie e Carla André
Após ter dormido apenas uma parte da noite (1 e às 6hora), eis que às 8 horas é dada a partida em direcção a Ponte da Barca.
À medida que ia levantando as marcações, os atletas da cauda iam-se “revezando” ora uns ora outros isto atá meio da prova. A partir do meio até final, tive a bela companhia de uma atleta Americana: Melanie Owen.



3ª Etapa – Arcos de Valdevez/Arcos de Valdevez, 47 km

Rio Vez
Mais uma vez, Às 8h30 foi dada a partida para um circuito de aproximadamente 47 km, bem “durinhos” …
Foi bastante complicada para mim esta etapa… Depressa passei a ser “vassoura” de mim próprio, pois as marcações ao princípio eram muitas e em locais que o acesso não era muito fácil. Depois de atravessar o Rio Vez, 2 km à frente, começou a chover. Claro que o último atleta cada vez se afastava mais e ainda por cima a chuva engrossava cada vez mais.


Quando cheguei ao primeiro abastecimento, a chuva era muita, o frio, o vento e nevoeiro também. Continuei a subir até Avelar e depois até Lordelo. Ao chegar ao cimo de Lordelo tive a agradável companhia do Sérgio! Seguimos rapidamente até final no encalço da última atleta. Os deuses estiveram connosco no alto de Sistelo. Aí deixou de chover e o sol envergonhado aparecia de quando em vez.
Chegamos finalmente aos Arcos 3 ou 4 minutos depois dos dois últimos atletas: M. Penzen e Karen Penzen.

4ª Etapa – Sistelo/Lamas de Mouro, 23 km

Sistelo
Mais uma alvorada às 6 horas, porque a partida para Sistelo era às 7h30.
Eram 8h30 quando a partida foi dada num cenário do outro mundo. Sistelo, uma das sete maravilhas de Portugal, encanta e deslumbra quem a visita! A subida de 10km até à Branda da Aveleira, fez “estragos” em duas atletas uma Alemã, outra Holandesa. Elas viram que eu era o último e ia cheio de fitinhas, resolveram fazer-me companhia... KKK
À chegada a Lamas de Mouro, tivemos uma recepção por parte dos atletas que já tinham finalizado difícil de descrever. As atletas que tiveram a amabilidade de me acompanhar, foram a Gillian Hannon e Alexandra Malbon.

5ª Etapa – S. Gregório/Melgaço 19 km

Esta etapa, ao 5º dia, foi par descontrair e recuperar forças.
Onde Portugal começa
Corrida em paisagens deslumbrantes por trilhos Espanhóis e Portugueses sendo a maior parte do percurso junto ao Rio Minho, com uma altitude baixa.
Aqui tive a companhia de mais um casal Holandês (Neil Dawson e Lynda Talbot), que me “acompanhou” até à meta. Na parte final da prova, reparo que tinham colocado uma fita de marcação num fio eléctrico que serve para não deixar sair os animais do pasto. Ao tentar retirá-la, ia caindo de costas com o choque que apanhei….

6ª Etapa – Sra. Da Peneda/Lindoso 36,5 km


De novo alvorada às 6 horas para que a partida do santuário da Sra. Da Peneda se desse às 8h30.
Etapa com algumas peripécias. Pouco depois da partida, já quase no cimo da 1ª subida, uma Atleta regressa à partida porque tinha esquecido algo. Espero por ela e seguimos a bom ritmo, avistando dois atletas mais à frente, e quase de seguida foram ultrapassados por ela. Um pouco mais à frente são avistados mais 4 ou 5. Aqui o ritmo já era menor, mas mesmo assim deu para nos aproximarmos um pouco.


Uns 3 km antes de chegar à Gavieira, recebo um telefonema do Carlos Sá que me informa que está uma atleta perdida… Penso que teria saído do trilho provavelmente para ir ao WC e quando regressou já não havia marcações, já as tinha levantado..
Deixei ir embora o atleta que me acompanhava (que eu acompanhava) … , coloquei a mochila no chão e vou para trás à procura dela. Passados mais de 2 km, lá a encontro. Parece que encontrou “deus” pois o sorriso naquela cara cheia de lágrimas, foi de orelha a orelha. Era uma outra atleta! Não falava Português mas uma das poucas palavras que aprendeu,foi "obrigada" que repetiu inúmeras vezes até muito perto da Gavieira.

Ao outro dia, na etapa de Pitões de Júnia a Montalegre, no meio de um estradão estava escrito em letras muito grandes: OBRIGADA. Suponho que era dirigida a mim… Não era Sílvia???
Ao entrar na Gavieira reparo que as marcações eram mesmo muitas, dá ideia que a equipa do Zé Pereira queria “semear” as fitas a ver se nasciam mais…. Kkk.
Com tanta fita para recolher perdi completamente o contacto com a atleta que se tinha perdido.
Cerca de 2 km depois do Suajo, junta-se a mim um novo vassoura, (Tiago Costa) ajudando a recolher as fitas no resto do percurso. Ajuda preciosa!!!


7ª E ultima etapa – Pitões de Júnia/Montalegre, 30.8 km

Quim Sampaio e Sílvia Martins
Pitões de Junia
Sem grande história esta etapa, a não ser pela beleza ímpar desta aldeia Transmontana. É a 2ª aldeia mais alta de Portugal, com os seus 1140 metros.
Tive uma companhia excelente como vassoura a Sílvia Martins. Fez todo o percurso a meu lado.


Obrigado Sílvia.



Eis uma pequena história da minha passagem pelo PGTA 2019.

Carlos Sá
Agora, depois da minha odisseia durante estes 7 dias, queria falar um pouco do evento, colectivamente.
Que hei-de dizer? Apenas que a nível de Trail Runner, é sem qualquer sombra de dúvida, o melhor que em Portugal se faz, a par do Foz Coa Douro Trail Adventure. E não há pontos fracos!

Vamos começar aleatoriamente:

- Os melhores percursos!
- A paisagem mais bela!
- A variedade enorme de percursos diferentes!
- As distâncias adequadas para este tipo de prova (desnível, distância e duração)!
- Abastecimentos regulares com tudo o que o organismo precisa!
- STAFF com profissionalismo e simpatia!
- Marcações irrepreensíveis, sem haver possibilidade de erro!
- Acompanhamento médico, enfermagem e terapeuta durante todos os dias!
- Os melhores hotéis para pernoitar!
- Acima de tudo o profissionalismo, saber e desempenho do Director e organizador do evento, CARLOS SÁ.

Durante estes 7 dias em que há mais de 30 Países, a língua poderia ser entrave, mas não é. Um simples olhar, um gesto com as mãos e acima de tudo O "Portuganhês" que é apanágio de todos os Portugueses, é suficiente para se constituir uma verdadeira família. Acreditem, na hora da despedida, há lágrimas misturadas com os abraços e beijinhos...

Tudo que enunciei, é motivo mais que suficiente, é um apelativo  para que a 7ª edição a realizar em 2020, bata todos os recordes de participantes e Países.

Da minha parte (se for útil), com 73 anos lá estarei de novo, mais que não seja para acompanhar aqueles que não estarão sempre nos “melhores” dias e não se importam de ser os últimos…



Melgaço com energia!!!!

Quim Sampaio – Ultra Trailer
28/05/2019


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