Coll Halt Pas

Coll Halt Pas

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

PGTA 8 DIAS Relato resumido da festa do Trail no Peneda- Geres!

PGTA 8 DIAS
Relato resumido da festa do Trail no Peneda- Geres!


1ª etapa, Arcos/Arcos

Gostaria de começar por agradecer ao Carlos Sá o excelente desenho das várias etapas, ao excelente percurso, às maravilhosas paisagens que admiramos, às marcações quase irrepreensíveis,,ao alojamento, aos trilhos. Tão depressa estávamos num trilho duríssimo, como de repente encontravamo-nos numa planície suave e encantadora. Perante tudo isto, Carlos Sá muito obrigado pelo evento único em Portugal!

O evento de 2015 foi marcado pelo mau tempo. A chuva não nos abandonou quase nos 8 dias. Por vezes choveu com tal intensidade que a travessia dos vários rios se tornava demasiado perigosa.

Este ano, contrariamente, o tempo foi sensacional. Não foram dias de Primavera mas sim de Verão. Claro que perante tamanha dádiva dos deuses, pudemos apreciar a verdadeira e única maravilha de Portugal que dá pelo nome de Parque Nacional da Peneda Geres e eu, em particular, porque em algumas etapas servi para "empurrar" os últimos: Fui "vassoura"...


Arcos de Valdevez
No dia 24 começou e acabou na linda Vila dos Arcos de Valdevez a 1º etapa. 42 Km percorrendo vários tipos de flora e fauna, árvores de porte, arbustos, e ausência de uma e outra coisa. Em seu lugar muito granito. Linhas de água magníficas, culminando com a travessia do rio Vez a cerca de 5 Km da linha de meta. Fui de "vassoura" (sozinho), retirando as marcações e acompanhando um casal Holandês (Rien de Wilde, que eram os últimos; este casal tinha duas filhas a competir também nos 5 dias e seguiam bem à frente).

 Apesar da dureza da tarefa foi muito agradável este acompanhamento, porque num "português/espanhol/francês/inglês (tudo misturado) fomos comunicando. Quando não nos entendíamos, recorríamos à mímica.... E assim se passaram 08h45.





Casal de Wilde
No dia seguinte após uma noite repousante no Hotel dos Arcos e um pequeno almoço 5*, o autocarro levou-nos atá à Aldeia de Sistelo. Uma Aldeia com uma beleza fora do normal, talvez uma das Aldeias mais bonitas de Portugal. Situada entre Arcos de Valdevez e Branda da Aveleira, tendo ao seu redor socalcos verdejantes, qual obra de arte!


Os "Vassouras" com Sistelo ao fundo

A 2ª etapa teve aqui início com destino a Melgaço. Uma Vila fronteiriça com a vizinha Espanha. E se a partida era de uma beleza estonteante, a chegada com a passagem ao longo do internacional Rio Minho e subida passando pelo Castelo de Melgaço, não o era menos...!

2ª etapaSistelo/Melgaço
Desta vez como vassoura tive a agradável companhia do Mauro e da Daya, aluna do IPVC de Melgaço que gentilmente cedeu à organização 9 dos seu alunos. Com uma subida inicial e continua de 12km, notou-se a dificuldade de ser vencida pelos Atletas da "cauda", mas ainda deu para telefonar à minha filha Célia Sampaio que fazia 42 anos nesse dia... os restantes km's, foram calmos, com direito a passagem pelo interior de uma quinta de Alvarinho.
Desta vez foram 08h52...

Foi num dos hotéis da Vila e na Pousada da Juventude que passamos a noite.




3ª etapa Peneda/Castro Laboreiro
Na 3ª feira dia 26, os autocarros levaram-nos até ao Santuário da Sra. da Peneda. Uma construção majestosa datada do final do século XIX (1880 e tal). Este Santuário situa-se no sopé  de um megalómano  bloco de granito. Assustador! Um Atleta da Costa Rica estava aterrorizado. Perguntou se não haveria possibilidade de haver um tremor de terra...  Enquanto esperavamos pela partida, reparei que esse Atleta se benzeu mais de 50 vezes!!!!.....

Início da 3ª etapa. Parti com "os da frente", uma vez que não era eu o "vassoura".30 Km começando a subir quase até Lamas de Mouro local do 1º abastecimento. Aí começa uma nova subida bem difícil. Avisto o companheiro Gerson Silveira, amigo Brasileiro que noto não se encontrar nas melhores condições físicas. Chego junto dele e confirmo que vai com bastante dificuldade, pelo que já não o deixei sozinho até à meta.

Castro Laboreiro fim 3ª etapa
Dei-lhe apoio psicológico contínuo. Parou mais de 10 vezes para vomitar...Entretanto, lá fomos até ao abastecimento seguinte, ao km 22.

Bico do Patelo
A subida do Bico do Patelo foi demasiado dolorosa para o amigo Gerson. Ele continuava desidratado, nada aguentava no estômago e a subida era duríssima! Mesmo assim, lá continuamos, entrando na meta de mãos dadas com uma Atleta Americana. 04h22.

Como não havia alojamento para todos os Atletas no mesmo hotel, metade ficaram em Castro Laboreiro, a outra metade rumou  para a Peneda.



4ª etapa Peneda /Lindoso
A 4ª etapa começou também na Peneda e tal como na anterior não fui "vassoura", fui correr. 29 km com trilhos muito técnicos e bem "puxadinhos"...

O início desta etapa é feito percorrendo  uma quantidade enorme de degraus que o recinto do Santuário possui. Desembocamos nuns trilhos quase planos, cruzando a estrada asfaltada alternadamente, até seguirmos por alcatrão durante cerca de 3 Km numa subida constante bem inclinada. No alto encontrava-se o 1º abastecimento, iniciando-se aí uma descida de cerca de 12 km até ao 2º abastecimento situado na Aldeia do Suajo, conhecida como Aldeia dos Espigueiros (ou canastros).

Rio Lima a jusante da barragem
Mais 1 km de descida por trilhos técnicos lindíssimos, inicia-se a seguir um duríssimo trilho, também técnico, que nos leva até à descida de acesso à barragem do Lindoso.

A sua utilidade é a produção de energia eléctrica, sendo o maior e mais potente produtor hidroeléctrico em Portugal. É uma das mais altas construções do País.

Espigueiros do Alto Lindoso
Do outro lado da barragem de acesso ao Castelo de Lindoso, inicia-se um trilho que mais parece uma escalada... Curto, mas muito duro!
E eis que, ao fim dos 29 km, desembocamos num planalto onde para além do Castelo, encontramos mais de uma dezena de Espigueiros. Paisagem espectacular! 04h35.



Após mais uma refeição, os autocarros levam-nos até à cidade de Montalegre, Cidade Transmontana, pequena com seu Castelo, mas muito bonita. 

Barragem do Alto Rabagão
Como o hotel da cidade não tinha capacidade para albergar toda a comitiva, alguns foram alojados perto da cidade em casas de turismo rural. Se o hotel (4***) era bom, as casas também o eram! No dia seguinte, início da 5ª etapa (última para os atletas que apenas faziam 5 ), entre Montalegre e Pitões da Júnia.

25 km de bastante dureza. Etapa com um sobe e desce constante, chegando a atingir os 1300 metros de altitude. Mas a beleza da Aldeia de chegada, Pitões da Júnia, depressa fez esquecer as dificuldades encontradas.

Beatriz Vilaça
Nesta etapa, voltei a fazer de "vassoura", na companhia de uma outra aluna do IPVC. Beatriz Vilaça.

À nossa espera encontrava-se um verdadeiro banquete. A Sra. Presidente da Junta, esmerou-se com a quantidade e qualidade da alimentação oferecida. Posso dizer que com 69 anos de idade ainda não tinha comido um presunto tão bom!!!


Pitões da Júnia
De regresso em autocarro a Montalegre, após o jantar foram distribuídos os prémios aos vários vencedores: Individual masculino e feminino, e equipas mistas e não mistas.

Foi um momento de festa, onde para além da alegria estampada em cada rosto, notava-se já um pouco de nostalgia naqueles que ali terminavam  a sua prestação. Os comentários eram unânimes elogiando percursos e organização. Houve até sugestão e apelo da parte de um Atleta para que o Carlos Sá faça na próxima edição uma nova distância de 16 dias...

Medalhas de Finisher
Também houve outros Atletas que se ofereceram para no dia seguinte me fazerem companhia na recolha de fitas de sinalização. Foram eles o casal da Ilha da Reunião, Michael e Laureda Carraz e uma amiga da mesma nacionalidade que não recordo o nome.

Na 6ª Feira de manhã os autocarros levaram-nos até Lapela, aldeia "encravada" no meio das montanhas de Trás-Os-Montes, local de início da 6ª etapa. Lapela / Gerês.

Michael e Laureda "vassouras,
Tamura Miyuki Atleta Japonesa 
Lá estavam presentes os voluntários da Ilha de Reunião que se tinham oferecido no dia anterior, a acompanhar-me. Para não destoar das etapas anteriores, esta foi também uma etapa dura. Sobe desce, sobe desce, sobe desce um verdadeiro carrossel...! 

A travessia do rio Cabril é de uma beleza e dureza fantástica! Foi a 100 metros de distância desta passagem (Poço do Inferno) que foi encontrado no princípio do ano o corpo do montanheiro que o rio levou.

Rio Cabril
Prosseguindo os trilhos, vamos encontrar a Aldeia de Cabril, local onde havia um abastecimento da responsabilidade da Aldeia. Tal como em Pitões da Júnia, havia um autentico banquete à nossa espera. Desde uma sopa caseira que era só feijão, hortaliça, muita carne (...), até chanfana de cabrito, chouriço caseiro, presunto, chocolates queijos doces, etc. Só apetecia "abancar" e  desfrutar dessas delícias caseiras. Foi o que fizemos...

Laureda Carraz, "Vassoura"...
O pior foi depois com o estômago "muito" bem aconchegado...! Foi bem difícil fazer o percurso até Fafião, local de mais um abastecimento a 6 km do final. O "peso corporal aumentado" aliado a um dedo do pé que teimava em perder uma unha, levou a que os meus convidados vassouras seguissem sozinhos, seguindo eu de carro até à meta situada na Vila do Gerês, Foram 38 km (32 para mim), muito duros!



Chegou entretanto a 7ª etapa, etapa rainha. Uma ultra de 53 km! Eram 07h05 quando Carlos Sá deu a partida. Apesar da teimosia do meu dedo do pé, lá fui mas desta vez para correr. Foi uma etapa que para além de longa, tinha um D+ acima dos 3000 metros, com corte aos 30km. Lá passei cerca de 01h30 antes do corte.

Passagem por locais paradisíacos, trilhos muito duros e muitos, com inclinações na ordem dos 35%, travessias de rios que tinham tanto de belo como de dificuldade.
Aos 40 km, chegamos à subida da Calcedónia! Foi sofrer por ali acima cerca de 3 km... parece que o cume cada vez estava mais distante...

Foi de facto uma etapa inesquecível! E quando tudo "apontava" para uma descida até à meta, eis que surge a última subida e  o último abastecimento que nem sequer parei. A partir dali, sim foi uma descida de 5 km terríveis muito técnica até à meta. Foram 11h00 de pura beleza, diversão e sofrimento!...



O dia 1 de Maio chega radioso (assim como todos os outros dias), cheio de Sol temperatura talvez um pouco baixa aquela hora da manhã. Os Atletas concentram-se para a última etapa. É a 8ª ao 8º dia, É a mais curta (15km), é a a etapa da consagração, é a etapa da Festa. Ao bater das 9h, eis que o pelotão arranca Vila do Gerês abaixo em direcção a á Pedra Bela, um lindo miradouro no meio do PNPG.


8ª etapa, Gerez/Gerez
E eu com mais 3 alunos do IPVC e o sobrinho do Carlos Sá, partimos na cauda, éramos  os últimos "vassouras" do PTGA.

1km após a partida, começamos a subir e que subida!!! uma descida precedida de uma outra subida, eis que a seguir descemos até à meta situada 6 km's abaixo.

Fabuloso este evento! Em Setembro temos mais uma festa do Trail em Portugal que é o PGTSA (Grande Trail da Serra d'Arga), seguido em Outubro do Campeonato Mundial de Trail a disputar no PNPG!

Até lá, para todos os amigos com quem partilhei estes 8 dias e todos os outros meus amigos, aquele abraço!





























Rio Cávado
Quim Sampaio - Ultratrailer
 Publicado em 07/05/2016
               


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

PATROCÍNIOS

PATROCÍNIOS

Ao acabar o presente ano desportivo, queria deixar aqui os meus agradecimentos a todos os patrocinadores que com o seu contributo permitiram a presença em provas nacionais e internacionais que de outra forma seria impensável fazê-las.

Entre eles queria aqui destacar três entidades que foram fundamentais:

-
Clica para aumentar
Dra. Fernanda Verde
(Osteopata) que conseguiu um “milagre”. As suas mãos e instrumentos fizeram dos meus músculos e tendões uns músculos e tendões com cerca de 25 anos! Obrigado Dra. Fernanda Verde.



Clica para maximizar 
- Daniel Araújo membro independente da Herbalife que com os suplementos alimentares que comercializa, permitiram um fortalecimento de todo o meu sistema físico. Nada de dores, nada de fadiga, muita força, muita energia. Um patrocínio acordado entre Janeiro de 2015 e Setembro do mesmo ano. Obrigado Daniel Araújo pela preocupação constante de monitorizares a resposta do meu organismo aos produtos ingeridos durante todo este tempo. Obrigado também pelo esforço financeiro que despendeste durante este período.


Clica para maximizar 
- Utilidades Costa Verde no seu sócio gerente André Verde, pelo apoio monetário e bens para o trail que pôs à minha disposição. Para ti também o meu muito obrigado.

Acabando os agradecimentos passados, vou referir-me agora ao mais recente patrocínios





Clica para maximizar 
 DNA / NUTRILITE.Parceria com esta entidade por um ano que poderá ser renovável. Há cerca de um mês que estou diariamente a consumir produtos da Nutrilite, fazendo “esquecer” os consumidos anteriormente. São também de uma qualidade fantástica.

As proteínas, as multivitaminas, o ómega-3, o isotónico, os sais minerais (Zinco e Magnesium). Todos inteiramente naturais.


 
Clica para maximizar 
Ao fim de um mês de consumo, noto que o meu estado físico está fantástico. Muita força, muita energia, muita vontade de fazer cada vez mais!!!


Ainda ontem dia 7, foi posto à prova o meu estado físico quando me ofereci para ser um dos Atletas que “puxaram” pela cadeira de uma roda com uma Trailista com deficiência física (
paraplégica da cintura para baixo) pela montanha acima, permitindo que TODAS as pessoas possam fazer Trail! São 5 Atletas que fazem movimentar a mobilite sendo necessária muita coordenação e força…

Clica para maximizar 
Tenho a certeza que os próximos grandes desafios Nacionais e Internacionais ( UTSL, Trilhos de Sicó, Trilhos dos Abutres, Peneda Geres Trail Adventure, Ultra trail de Lavaredo e se tiver sorte no sorteio Ultra Trail de Mont Blanc), não terei grande dificuldade em os concluir. Quero por isso deixar o meu muito obrigado à DNA nas pessoas de Osvaldo Magno e Rui Nunes.

Mais notícias para mais tarde…

Quim Sampaio-Ultratrailer




terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Eu e a minha participação no 4k Alpine Endurance Trail Valle d’Aosta.

Eu e a minha participação no

4k Alpine Endurance Trail Valle d’Aosta.


Pela 1ª vez não divulguei a minha participação em tão grande evento. Não o fiz porque recentemente submetido a uma intervenção cirúrgica ao ombro/braço esquerdo, mediante o resultado divulgaria ou não.

Clica para aumentar
Alguém adivinhou a minha presença e vai de postar aqui no FB. Sinto-me por isso na obrigação de prestar um pequeno esclarecimento.

Clica para aumentar
Embora tivesse havido pessoas com bom senso e com conselhos adequados, pessoas que sabiam do meu estado físico, ignorei. Ignorei mas saiu bem “cara” esta minha ignorância…

Com duas anestesias num período de 4 meses, aventurei-me a rumar até ao Valle d’Aosta. Isto cinco semanas após a intervenção cirúrgica. Sabia que poderia ficar pelo caminho, mas no intimo acreditava que chegaria ao fim.

Clica para aumentar
Depois de colocar na mochila todo o material obrigatório, verifiquei que o peso ultrapassava os cinco quilos e meio. Fiquei muito apreensivo mas arrisquei.

Subi ao ponto mais alto de todo o percurso (Coll de Lesson 3.300 m altitude) sem
Clica para aumentar
qualquer dificuldade e muito antes do tempo que tinha estipulado. Nada de dores ou fadiga. O pior aconteceu depois. Uma descida com cerca de 13 Km’s com desnível por vezes superior aos 45%, com socalcos alguns com um metro, a mochila a saltar nos meus ombros, originou que todo o trabalho de recuperação ao longo das 5 semanas fosse por água abaixo. 3 km's antes do local onde iria ficar ainda retirei a alça da mochila do ombro esquerdo mas era impossível a digressão. Ao fim de pouco mais que 7 horas, tive que abandonar com dores demasiado intensas. Não tive alternativa.

Clica para aumentar
Clica para aumentar
Abdicando do bilhete de regresso para o dia 10, comprei um novo bilhete para prosseguir
com a fisioterapia e ver se algo de grave se poderá evitar. Assim terminou de uma forma abrupta um evento que adoraria ter feito.

A esperança é a ultima coisa a morrer, por isso para o ano lá estarei!

Quim Sampaio - Ultratrailer






domingo, 25 de outubro de 2015

The North Face® Lavaredo Ultra Trail

The North Face® Lavaredo Ultra Trail



Em Junho de 2015, participei no LUT (Lavaredo Ultra Trail).

A seguir ao TDG (Tor des Geants), é o Trail que mais me apaixona. Decorrendo numa zona protegida dos Alpes - Montes Dolomites, Património Mundial da Humanidade - na distância de 119 Km.

Como todos os Alpes, é uma zona expectacularmente linda! Paisagens que nos fazem por vezes parar e desfrutar aquilo que o nosso olhar abrange. Participei nesse evento maravilhoso, como treino para o TDG. O ano que vem, 24 de Junho, vou apenas para correr e desfrutar. O objectivo não será treino, uma vez que devido ao regulamento do TDG, não permite que, caso fosse em 2016, não poderia ir em 2017. E 2017 quero mesmo ir lá, ao fazer os 70 anos!

Nesse caso, na companhia da minha filha Célia Sampaio e de muitos outros Portugueses que estarão presentes, irei desfrutar das belezas naturais e da "dureza" do seu perfil...    
É mais um desafio...

Clica para aumentar

Clica para aumentar









Quim Sampaio - Ultratrailer

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

SUPLEMENTOS ALIMENTARES NUTRILITE Amway

Clica para aumentar
Já lá vão 4 meses a consumir os suplementos alimentares da Nutrilite! - All Plant Protein. Proteína vegetal
- Complexo de Omega 3 - Strive +
- Isotónico protaico
- Double X. Multivitaminas vegetais
- Mineral Sticks Magnesium
- Mineral Sticks Zinco
Clica para aumentar

Todo o meu organismo reagiu de uma forma excelente ao consumo diário destes suplementos. Treino atrás de treino, dia atrás de dia, os músculos tendões e articulações estão em perfeitas condições.

Durante o treino em tempos pré-determinados, hidrato-me com proteínas misturadas com isotónico (Strive+). Acabo o treino, cerca de 10 g de proteínas com mais um isotónico, é suficiente para no dia seguinte me levantar e iniciar novo treino como se nada tivesse feito no dia anterior.
Clica para aumentar
Este pó proteico é vegetariano. Na sua composição entra a soja, trigo e ervilhas amarelas. Fornece quantidades equilibradas dos nove aminoácidos essenciais, libertando energia suficiente para alimentar todo o sistema muscular e o coração.


Clica para aumentar
O Omega 3 contém dois ácidos gordos essenciais à alimentação. Encontram-se em maior quantidade no Salmão, mas como não se come Salmão todos os dias e os outros peixes não possuem a quantidade adequada que o nosso organismo precisa, o Ómega 3 da Nutrilite fornece a quantidade suficiente.

O consumo diário de Double X, suplemento multivitaminas e multiminerais, fornece um apoio nutricional melhorado quando há maiores exigências de esforço e o organismo precisa ainda de mais nutrientes.Extraídas de plantas, contêm vitaminas, minerais, concentrados e extratos seleccionados de 23 plantas.


Clica para aumentar
O Magnésio desempenha um papel vital na ajuda a que músculos e sistema nervoso trabalhem eficientemente, sobretudo o músculo cardíaco. 

Os Minerais Sticks de Magnésio são uma conveniente forma de ingerir a sua dose vital deste mineral. Por fim o Mineral Stick Zinco.

O zinco contribui para o funcionamento normal do sistema imunitário. Com o sistema imunitário em perfeitas condições, não há doenças que se desenvolvam. Claro que suplementos de Zinco só há 4 meses que consumo, mas sei que vai contribuir para que se mantenha o bloqueio do meu organismo contra a invasão de qualquer doença. São 69 anos sem doenças. Ainda hoje desconheço o que é uma simples gripe. Nunca tive nenhuma….


Clica para aumentar
Está a aproximar-se (próximo dia 24) um teste a sério a todos estes suplementos. Vão ser 274 Km’s nas Serras da Peneda, Geres e Amarela entre outras. Depois desta data, darei notícias…

Depois de ponderar demoradamente se se enquadraria o relato de uma situação que se está a passar comigo sem terminar as pesquisas que ando a fazer, resolvi de facto relatar até porque sinto-me demasiado optimista e extremamente feliz quanto a resultados.
Clica para aumentar

Há cerca de um ano, comecei a sentir choques eléctricos nas pontas dos dedos das mãos quando espirrava ou expulsava repentinamente o ar acumulado nos pulmões. Simultaneamente comecei a sentir perda de sensibilidade na ponta dos dedos polegar e indicador de ambas as mãos, agravando-se dia após dia até perder por completo toda a sensibilidade. Eram dois dedos completamente mortos.

Dirigi-me ao médico dando conta do que se estava a passar. Mandou-me fazer um exame (Eletromiografia). Resultado, nada de anormal. Novo exame: ressonância magnética à coluna cervical. Esta acusou uma hérnia entre o 3º e 4º disco cervical, estando a comprimir seriamente a medula. Terapia adequada, intervenção cirúrgica. Foi marcada, mas à última hora decidi aguardar mais um tempo que permitisse participar no TdG.

 Regressado de Itália em Setembro passado, voltei a ponderar a intervenção cirúrgica, mas fui “adiando”,“adiando”… Há cerca de 2 meses comecei a sentir melhoras. Melhoras que ia sentindo cada dia que passava.

Hoje, neste preciso momento, a situação reverteu quase 100%. Não há mais choques eléctricos e a sensibilidade dos dedos está mais ou menos (talvez mais) nos 95%!!!

Perante estes resultados assombrosos, resta-me concluir que aconteceu uma de duas coisas: Ou houve milagre ou os suplementos alimentares da Nutrilite que há 4 meses tomo diariamente fizeram efeito. Como “milagres” só havia antigamente mas só em Fátima… resta-me acreditar que foram de facto os suplementos que fizerem regredir esta situação.

Mas as pesquisas continuam.

Qualquer pessoa que queira experimentar algum destes produtos, ou ser assessorado pela DNA, entre em contacto comigo ou directamente com um dos responsáveis da empresa (Osvaldo Magno), com o telefone nº 967349400.

Vila Praia de Ancora, 4 de Abril de 2016

Quim Sampaio- Ultratrailer 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Clica para maximizar
Fernanda Verde - Medicina Natural

Artigo dedicado às MULHERES do Trail

Remédios naturais aliviar os efeitos da menopausa.

 Embora muitos médicos costumem receitar tratamentos a base de hormônios sintéticos para a mulher se livrar dos sintomas da menopausa. Existem outras formas, como remédios naturais para aliviar os efeitos da menopausa, que além de serem eficientes não têm efeitos colaterais como alguns dos tratamentos com hormônio tradicionais.

1 benefícios do ginseng Ginseng É uma substância que estimula as glândulas suprarrenais, contribuindo na redução dos sinais da menopausa. Em lojas de produtos naturais é possível encontrá-lo para o preparo de chás ou em cápsulas.

2 benefícios da vitamina C Vitamina C Uma alimentação equilibrada também é muito importante para não sofrer na menopausa, inclusive, rica em vitamina C, que é encontrada especialmente nas frutas cítricas, como laranja, acerola, kiwi e outras. Essa vitamina é imprescindível para que o organismo produza hormônios da glândula adrenal. Se você optar pelos suplementos consulte um médico para que ele indique a dosagem certa para você.

3 benefícios da sálvia Óleo Essencial de Sálvia Essa substância conta com propriedades estrogênicas, por isso, funciona como um ótimo remédio natural para aliviar os efeitos da menopausa. Ele colabora no equilíbrio dos hormônios e ameniza as ondas de calor. Embora a forma mais eficaz de usá-lo seja por meio da inalação, também pode ser diluído a um óleo de massagem e passar no abdômen.

4 benefícios do trevo vermelho Trevo vermelho É um chá poderoso e entre os seus benefícios está o fato de conter isoflavonas, substâncias estrogênicas naturais que ajudam a manter o equilíbrio hormonal do corpo. Assim, os níveis de estrogênio crescem, reduzindo os efeitos da menopausa.

5 benefícios do isoflavonas Isoflavonas Esse hormônio natural funciona como um remédio natural que também é encontrado na soja, sendo que a melhor forma de consumi-la é a orgânica. Assim, você pode beber o leite de soja, fazer uma sopa de missô (derivado da sopa), comer tofu (também derivado da soja), entre outras opções.

6 benefícios da maca Maca É uma raiz usada há milhares de anos pelos povos nativos do Peru, sendo muito benéfica ao sistema endócrino. Assim, auxilia no equilíbrio dos hormônios, restaura glândulas e melhora a capacidade do corpo em trabalhar com os quadros de estresse, inclusive, quando é resultado das mudanças hormonais. É encontrada em pó ou em cápsula.

7 benefícios do cohosh preto Cohosh preto Erva usada há centenas de anos por nativos americanos para tratar desequilíbrios hormonais, como cólicas menstruais e sintomas da menopausa.

É mais eficiente para combater as ondas de calor, irritabilidade, alterações de humor e insônia. Pode ser encontrada para fazer chá, em extrato ou cápsulas.

Dicas para evitar os efeitos da menopausa:

Evite consumir muita cafeína, uma vez que as ondas de calor também podem ser sinal de que suas glândulas adrenais (localizadas acima dos rins que ajudam o organismo a tratar o estresse) estão sobrecarregadas.

A linhaça é outro alimento que ajuda a combater os efeitos da menopausa, sendo que a use preferencialmente triturada em pães, iogurtes e sucos.

A aromaterapia é um tratamento natural com muitos benefícios, inclusive, para aliviar os efeitos da menopausa. Uma dica é misturar a um frasco de 50 ml de óleo de amêndoas oito gotas de cada uma dessas essências: manjericão, louro, hortelã, sálvia e anis estrelado. Pingue poucas gostas no interior dos pulsos e dos braços e esfregue quando sentir ondas de calor ou até três vezes ao dia.

Fernanda Verde

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O Tor, eu e o meu "eu"

Um testemunho de Eduardo Santos sobre a sua participação no  Tor des Geants 2015

Será que vou acabar aquilo? 

Clica para aumentar
Clica para aumentar
Fui um dos participantes em 2013, mas, infelizmente por falta do discernimento necessário nestas ocasiões, acabei por tomar uma decisão errada e acabei com a prova aos 80 km.

Este ano a responsabilidade tornava-se maior e a última semana antes da partida para Courmayeur foi semana de reflexão sobre o assunto. Preocupado com os anúncios de mau tempo, acho que não consegui pregar olho na madrugada da viagem para o aeroporto.

Quer queiramos ou não, esta é uma prova, onde durante o seu desenrolar, metemos à prova todos os nossos limites. Bastões partidos, noites sem dormir, comida que teima em não entrar, calor, frio, neve, chuva, roupa molhada, alucinações e as dificuldades inerentes ao percurso.Circunstâncias para o qual temos de estar preparados física e mentalmente para participarmos num desafio desta envergadura.

Clica para aumentar
Nem todos, conseguem e estão aptos a terminar um desafio como é o Tor de Geants. Para o fazer será demais importante não nos deixarmos abater por dá cá aquela palha, numa situação de extrema dificuldade, há que pensar várias vezes, dar umas boas chapadas na cara, até se tomar a decisão final. Não o fiz em 2013!

Eis-nos no aeroporto, felizes por um reencontro, para mais um desafio, e que desafio este. Uma prova de 330 km com cerca de 24000 de desnível positivo, não é propriamente algo que se possa considerar vulgar. No rosto de todos uma grande esperança de levar a bom termo uma das provas mais difíceis do mundo.

Aquela que parecia ser uma viagem calma, acabou por ser uma viagem atormentada, já dentro do avião prontos para descolar, somos recambiados para outro avião, o que implicou um atraso considerável e uma chegada a Courmayeur mais tarde que o previsto. Descontraídos, brincámos com a situação e passadas cerca de duas horas, seguimos viagem.

Clica para aumentar
Em Geneve juntaram-se a nós (eu, Manuel Correia, Diogo Simão e Hélder Tomé), o Quim Sampaio e Miguel Pereira. O grupo dos gigantes estava completo. Tudo a correr bem, até que o Hélder Tomé apercebe- se que o TLM ficou no avião. Mais algum tempo de espera, mas em vão, apenas foi recuperado no regresso. Fiquei preocupado! Podia-mos ter ali um caso grave de nomofobia e a coisa podia dar para o torto. Mas, não, afinal de nós todos o Hélder era o que demonstrava mais tranquilidade.

Geneve, aluguer de viaturas, viagem até Chamonix para almoçar, túnel do monte branco e eis-nos em Courmayeur. À chegada a preocupação era muito grande, o tempo estava péssimo e as previsões não eram nada animadoras, mas tínhamos ainda dia e meio para preparar as coisas e reflectir sobre a melhor estratégia para a prova. Apesar da chuva, todos mantivémos uma vontade do tamanho do mundo em terminar a prova, o que em termos psicológicos veio a tornar-se muito positivo.

Com a ajuda do Manuel Correia o percurso estava estudado minuciosamente.

Chega a hora da partida, a noite foi de chuva intensa, não estava frio, pelo que, na minha mente pairava uma restea de esperança. Será que vou livrar-me da neve nas zonas mais altas? Muitos atletas, em conversa garantiam que não haveria neve. Muita alegria na partida.

Clica para aumentar
No dia seguinte chegavam as nossas voluntárias de apoio logístico, a Gabriela e a Margarida. Partimos debaixo de chuva intensa. Apesar disso, a prova decorre num cenário que posso considerar de sonho, paisagens deslumbrantes com picos nevados no horizonte, prados alpinos, trilhos bem assinalados, que a todo o momento nos convidam a um registo fotográfico.

Clica para aumentar
Passagem por muitas zonas rurais, onde o apoio aos atletas é deveras inimaginável, há festa na aldeia!!! Com este relevo e também devido às condições climatéricas, são evidentes as vocações económicas desta região: a seguir ao turismo, a economia também é grandemente sustentada pela sua produção de gado e produtos lácteos. Ao fim de algumas horas é atingido o Col Arp (2571), olhando no horizonte, o impressionante muro de montanhas ao fundo, com os cumes escondidos pelas nuvens.

Clica para aumentar
Em baixo fica o vale que, visto de cima, mais parece um grande relvado dividido ao meio pelo rio Dora Baltea, as casas de Courmayeur parecem do tamanho de ovelhas.

Sempre juntos, (eu, Diogo e Manuel), facilmente atingimos o Refúgio Deffeeyes (2500), o Passo Alto (2857) e o Col Crosatie (2366), neste último percurso, na descida para "Planaval", passámos ao lado do memorial ao atleta Yang Yuan, falecido em 2013.


Clica para aumentar
Às 23 horas de domingo chegamos à primeira base de vida. As condições atmosféricas eram péssimas, e aqui em Valgrisenche (1662), logo nos apercebemos que seria preciso muita coragem, muita superação para podermos terminar com sucesso este grandioso desafio. Depois de nos alimentarmos convenientemente, decidimos descansar cerca de duas horas. Fui o primeiro a despachar-me, saí e esperei um pouco pelo Manuel e Diogo, mas eles não apareciam e a já arrefecer, acabei por continuar acompanhado por uma atleta espanhola, no caminho lembrei-me que eles ainda iam aos doces antes de continuarem. A junção deu-se mais à frente. Debaixo de chuva intensa, trovões, relâmpagos e com um frio arrepiante, eis-nos no Refúgio
Chalet de L'Epée (2367).

Clica para aumentar
Era o princípio do fim. O frio era tanto, que já não conseguia mexer as mãos, assim que entro, a confusão era generalizada, deviam estar dentro do refúgio cerca de 50 atletas. Encharcado e sem roupa seca para mudar, a primeira coisa que fiz, foi tentar de alguma maneira aquecer as mãos debaixo de água quente. As dores nas mãos eram tantas que não conseguia estar sentado. Era um desassossego. Entretanto sentei-me ao lado do Diogo, o Manuel com um cobertor por cima do corpo tremia por todos os lados e anuncia: Tenho uma coisa a dizer-vos. Vou ficar por aqui!


Clica para aumentar
Nesta altura ainda não se sabia da paragem da prova, mas ninguém estava em condições de seguir caminho de imediato, as condições lá fora eram de tempestade. Uma hora depois, é anunciada a paragem da prova até ordens em contrário. Entra no refúgio o Hélder Tomé. Entretanto aquele pequeno espaço ia recebendo todos os atletas que sairam de Vagisenche antes da paragem da prova. Deveriam estar dentro do refúgio cerca de 100 atletas. A confusão era total, dormia-se onde se podia, sem codições mínimas, houve atletas que fizeram uso das mantas térmicas para se tapar. Entretanto, chega a informação que estavam retidos na 1ª base de vida cerca de 200 atletas, um deles seria o nosso compatriota Quim Sampaio. Já dia, chega a ordem de partida, ainda molhado, tento uma progressão mais rápida na tentativa de aquecer, mas à frente dos meus olhos o motivo do cancelamento da prova durante algumas horas, o Col Fenêtre (2854) , estava envolto num manto de neve.

Clica para aumentar
A progressão não poderia ser muito rápida. O frio começa a entranhar-se no corpo já húmido, os trilhos quase não se viam e eram ora de gelo, ora de neve. Atingido o cume, começa a descida íngreme durante vários kms, olho o trilho e fico estupefacto, era de gelo. Grito em voz alta "Não consigo descer isto!!!" Fiquei fora de mim, coloquei-me numa posição muito constrangedora, provocando em mim uma série de situações negativas, as quais não consegui combater no momento. Muitos de nós não dão conta, que em situações como esta, sobretudo em alta montanha, nos defrontamos diretamente com a nossa mente, ou seja "forçamos" o nosso psiquismo a viver mais no aqui e agora. Para vivermos em situações deste tipo, que só a montanha nos oferece, seremos sempre forçados a ser acompanhados pelo velho companheiro medo, a nossa vaidade, o nosso carácter, a nossa auto estima baixa ou elevada, a nossa noção da realidade. Tive medo. Ainda hoje, não consigo dizer se esse medo foi razoável ou não, se era um medo infundado, não consegui o discernimento necessário para o combater. Não consegui controlar a mente de modo a não pensar que podia cair e morrer.

Clica para aumentar
Acredito como treinador, que se estivermos atentos a isto, podemos aliar a nossa participação em provas deste tipo a metodologias de "treino mental" tais como a prática de yoga, da meditação, do reiki, entre outras, de forma que a nossa condição física seja acompanhada pelo nosso desenvolvimento psicológico. Parece-me que negligenciei esta realidade psicológica, os aspectos cognitivos e emocionais pouco treinados e trabalhados dificultaram o meu desempenho nesta situação. De novo aprendi!!! Mas, afinal o que aconteceu? Em pânico e já a tremer de frio, fico no cimo do Col, firme e hirto à espera não sei bem de quê, olho para trás para a descida em direção do Refúgio Chalet de L'Epée, já não vinha nenhum atleta, o que queria dizer que todos os que estavam nesse refúgio já tinham passado e os duzentos que ficaram retidos na base de vida chegariam ali apenas três horas depois.


Clica para aumentar
Já em situação débil a nível físico e psicológico, tinha de arranjar uma solução, tento descer o trilho de gelo sentado, mas passados cerca de 100 metros e sem calças impermeáveis, o gelo começa a entranhar-se no corpo de uma forma alucinante, de repente penso que a descer naquela situação, acabaria por morrer no trilho, volto para cima feito cabra do monte e chego novamente ao cume. Já não havia muito a fazer, tinha de ser resgatado o mais rápido possível. Pego no telemóvel, mas os dedos estavam congelados, não conseguia marcar um único número, olhei à volta na procura de algo onde me pudesse abrigar. Nada! Lembrei-me do xaile.

Até que do nada aparecem dois atletas, os meus salvadores, um francês e um italiano, tinham ficado a dormir mais tempo no refúgio. Trataram de imediato de ligar para o SOS para fazer o resgate. Deram-me as suas mantas térmicas e embrulharam-me completamente. Ficaram comigo até ser resgatado. Agarrado e aconchegado de frente pelo Francês e atrás pelo Italiano durante cerca de uma hora, o resgate a 3000 metros de altitude agarrado a uma bela Italiana durante cerca de 5 minutos (tempo de subida da corrente), a tremer dos pés à cabeça, foi uma sensação difícil de explicar, digamos uma espécie de purificação da mente.


Clica para aumentar
Acabei por ficar no hospital da Aosta 12 das 24 horas que o médico de medicina de montanha referiu após as primeiras análises. Os indíces muito baixos de potássio ficaram regulares após as segundas análises e tive ordem de soltura. Às 19 horas de segunda feira, a minha voluntária Margarida, acabada de chegar a Itália, foi buscar-me ao hospital.


Os dias seguintes foram de descanso e de acompanhamento dos atletas portugueses ainda em prova. O que acaba por ser por pouco tempo, uma vez que a prova é cancelada definitivamente na quinta feira de madrugada. Na véspera o Manuel Correia tinha sido resgatado e recambiado para o hospital, nesse dia e enquanto a Gabriela dava a assistência necessária ao seu herói, aproveitei para visitar uma cidade que me deslumbrou positivamente.


Clica para aumentar
A capital, Augusta Praetoria, a moderna Aosta, exibe um grupo importante de monumentos, que assinalam a passagem do tempo e da história pelo vale. O Arco de Augusto, perto da ponte romana, fica no centro de uma rotunda movimentada, de onde saem as ruas centrais da cidade. Algumas destinam-se exclusivamente a peões, como a Sant’Anselmo, animada por uma profusão de restaurantes, birrerias (cervejarias), e lojas de produtos típicos: objectos de madeira, mel, vinho, e o célebre queijo Fontina.


Clica para aumentar
A cidade está repleta de vestígios romanos, o teatro, o fórum, as antigas muralhas, a zona de banhos fazem a delícia dos visitantes. Mas a época medieval também deixou em Aosta alguns monumentos de interesse, nomeadamente a Catedral de Notre-Dame de L’Assomption, que ganhou uma fachada ricamente decorada e pintada durante a época renascentista, e a igreja e colegiada de Saint-Ours. Vale a pena uma visita.

Um forte abraço, era um dos sonhos que tinha interiorizado logo de início, na possibilidade de não terminar o Tor 2015, poder ter o prazer de estar naquela mítica linha de chegada e abraçar fortemente os meus companheiros neste mega desafio. Por circunstâncias inesperadas e alheias à nossa prestação, tal não foi possível. Com menor ou maior intensidade é o fim de um ciclo que me leva a refletir, a repensar, a olhar para dentro e para fora, tentando perceber o porquê disto .


Clica para aumentar
De novo, aprendi. Serei um dos poucos atletas de estrada dos anos 80 e 90, que abraçou a natureza à meia dúzia de anos, percorrendo trilhos fantásticos, montanhas fascinantes, fazendo amigos e mais amigos. Estou grato pela mudança.

Termino, com um forte abraço a todos os meus companheiros presentes neste desafio. Para o ano tentarei marcar presença.



Eduardo Santos